Salário mínimo: governo deveria aprovar piso de R$ 6,2 MIL em 2022; entenda

Um levantamento feito no mês de agosto mostra que o salário mínimo ideal deveria ser 5,2 vezes maior do que o aprovado pelo governo.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) liberou uma nova pesquisa estimando o salário mínimo ideal. O piso nacional vigente em 2022 está em R$ 1.212, que seria 5,2 vezes menor ao necessário para manter uma família de quatro pessoas, segundo a entidade.

O estudo realizado sobre o mês de agosto mostra que o governo deveria aprovar um salário mínimo de R$ 6.298,91 para suprir necessidades básicas do trabalhador e sua família. Esse valor é R$ 89,64 menor do que o observado ao longo do mês de julho e mais de R$ 5 mil superior ao piso atual.

Governo deveria pagar salário mínimo 5 vezes maior

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Foto: montagem / Pixabay – Canva PRO

Todos os meses, desde julho de 1994, o Dieese faz um levantamento sobre o preço dos produtos alimentícios que compõem a cesta básica. A partir disso, a entidade também calcula qual o salário mínimo ideal que deveria ser pago pelo governo para bancar uma família, considerando:

  • Alimentação;
  • Moradia;
  • Saúde;
  • Educação;
  • Vestuário;
  • Higiene;
  • Transporte;
  • Lazer; e
  • Previdência.

O menor valor para um piso nacional justo, em 2022, foi de R$ 5.997,14 no mês de janeiro. Já o maior salário mínimo ideal foi observado em abril, quando o Dieese chegou ao cálculo de R$ 6.754,33.

No mês de agosto, foi observada uma queda no preço da cesta básica, o que gerou uma redução na estimativa do piso, calculado em R$ 6.298,91. Veja qual foi a previsão para o mesmo período nos dois primeiros anos de pandemia:

  • 2020: salário mínimo era de R$ 1.045 e o ideal, para agosto, deveria ter sido de R$ 4.536,12, um total de R$ 1.762,79 abaixo do observado em 2022;
  • 2021: piso nacional era de R$ 1.100 e o ideal, para agosto, deveria ter sido de R$ 5.583,90, um total de R$ 715,01 abaixo do estimado para 2022.

Preço da cesta básica cai em 16 capitais brasileiras

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Foto: montagem / Pixabay – Canva PRO

Conforme informado anteriormente, o Dieese verifica a variação no preço dos produtos alimentícios e da cesta básica mensalmente. A pesquisa abrange 17 capitais brasileiras. Dessas, apenas uma teve aumento no pacote de alimentos no mês de agosto. A cesta básica em Belém (PA) subiu 0,27%, o equivalente a R$ 1,71.

Todas as demais cidades analisadas apresentaram uma pequena queda nos valores. A mais expressiva foi em Recife (PE), gerando uma redução de 3%, e a menor foi em Curitiba (PR), com diminuição de 0,45%. O ranking das quatro cestas básicas mais caras do país ficou da seguinte forma:

  • São Paulo: média de R$ 749,78, o equivalente a 66,88% do salário mínimo atual;
  • Porto Alegre: média de R$ 748,06, o equivalente a 66,73% do salário mínimo atual;
  • Florianópolis: média de R$ 746,21, o equivalente a 66,56% do salário mínimo atual;
  • Rio de Janeiro: média de R$ 717,82, o equivalente a 64,03% do salário mínimo atual.

O estudo mostrou que as outras 13 capitais ficaram com o preço da cesta básica observado abaixo dos R$ 700 em agosto. As quatro cidades com o valor mais barato, segundo a pesquisa, foram:

  • Aracaju: média de R$ 539,57, o equivalente a 48,13% do salário mínimo atual;
  • João Pessoa: média de R$ 568,21, o equivalente a 50,68% do salário mínimo atual;
  • Salvador: média de R$ 576,93, o equivalente a 51,46% do salário mínimo atual;
  • Natal: média de R$ 580,74, o equivalente a 651,80% do salário mínimo atual.

Previsão do governo para o salário mínimo 2023

O governo federal entregou, ao Congresso Nacional, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para o próximo ano. O texto conta com uma previsão de reajuste de 7,41% para o salário mínimo 2023. O percentual é relacionado à inflação observada em 2022 até agora, equivalendo a um aumento de R$ 90 sobre o piso.

Atualmente, a menor remuneração federal vigente está em R$ 1.212. Caso siga o índice de correção estimado pelo PLOA, o salário mínimo deve subir para R$ 1.302 no ano que vem. Essa alteração nos valores é determinada pela Constituição Federal que obriga o governo a fazer um reajuste anual com base na inflação do ano anterior.

A ideia é equiparar o salário ao aumento nos preços dos produtos, fazendo com que as famílias mantenham o mesmo poder de compra. Sendo assim, não é possível fazer um reajuste inferior à inflação. Até 2019, foi pago quantias acima desse índice. Esse extra é chamado de ganho real.

De acordo com o projeto enviado ao Congresso, é possível que o salário mínimo fique sem esse aumento a mais pelo quarto ano seguido. No entanto, é preciso ressaltar que a correção utilizada no texto é apenas uma previsão. O valor oficial só será divulgado em janeiro de 2023.

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